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Mosquitos: domínio mundial
Existe uma pergunta que, confesso, me acompanha desde os primeiros anos fabricando telas mosquiteiras (e olha que já lá se vão mais de duas décadas): como um bicho tão pequeno, tão frágil quando esmagado entre dois dedos, conseguiu conquistar praticamente todos os cantos habitados do planeta?
Porque é isso mesmo que aconteceu. Não existe continente livre de mosquitos, salvo a Antártida (e mesmo assim, há quem diga que é questão de tempo, com o aquecimento gradual das regiões polares). São mais de três mil e quinhentas espécies catalogadas, espalhadas por florestas tropicais, desertos, pântanos, cidades litorâneas e até apartamentos no décimo quinto andar, como um que tive a oportunidade de proteger com tela há alguns anos, e que os moradores juravam estar "alto demais" para qualquer inseto voador chegar lá.
Pois chegou.
Uma questão de adaptação, não de sorte
Os mosquitos não dominaram o mundo por acaso, e tampouco por serem particularmente resistentes no sentido bruto da palavra (um simples tapa resolve o problema individual, ainda que jamais resolva o problema coletivo). O que eles têm de sobra é uma capacidade de adaptação que impressiona qualquer um que já tenha estudado o assunto com um mínimo de atenção.
Colocam ovos em qualquer poça, por menor que seja: a tampinha de garrafa esquecida no quintal, o pires debaixo do vaso, o pneu velho no fundo do terreno. Não precisam de rios ou lagos, água parada em pequena quantidade já basta, e é justamente por isso que o combate à proliferação depende tanto da atenção de cada morador quanto de qualquer política pública, por mais ampla que seja.
Além disso, adaptaram-se de forma notável ao ambiente urbano, que na teoria deveria ser hostil a eles (concreto, asfalto, pouca vegetação), mas que na prática se revelou um paraíso de recipientes artificiais e temperaturas amenas o ano inteiro, sobretudo em regiões tropicais como a nossa.
Onde estão, e por que estão lá
A distribuição geográfica dos mosquitos segue, em linhas gerais, o clima. As espécies do gênero Anopheles, responsáveis pela transmissão da malária, concentram-se principalmente em regiões tropicais e subtropicais, com destaque triste para a Amazônia, no caso brasileiro. Já o Aedes aegypti, nosso conhecido vetor da dengue, da zika e da chikungunya, tem uma capacidade de adaptação urbana tão grande que hoje está presente nos cinco continentes, algo que talvez ele mesmo não soubesse que conseguiria alcançar, se mosquitos tivessem ambição.
E as mudanças climáticas, é bom que se diga, não estão ajudando. O calor mais intenso e mais prolongado, somado a chuvas irregulares que deixam poças por mais tempo em locais antes secos, tem levado esses insetos a regiões onde historicamente não se estabeleciam, casos recentes de malária adquirida localmente nos Estados Unidos sendo um exemplo que já preocupa autoridades sanitárias por lá.
E é aqui que entra a tela
Diante desse quadro, chega a ser curioso pensar que uma das soluções mais eficazes contra um problema de escala global seja, ao mesmo tempo, uma das mais simples e mais antigas: a barreira física. A tela mosquiteira não resolve a distribuição mundial dos mosquitos, é claro, ninguém tem essa pretensão, mas resolve o que está ao alcance de cada família, que é impedir a entrada do inseto justamente onde se dorme, se come e se vive.
Não é por menos que, ao longo desses anos todos instalando mosquiteiros nas mais diversas situações (janelas redondas, cobogós, sacadas de prédio, até chaminés de churrasqueira, como já contei por aqui), percebo que a tela continua sendo, e provavelmente continuará sendo por muito tempo, a solução mais simples diante de um inimigo que soube, como poucos, se espalhar pelo mundo inteiro

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